sexta-feira, 1 de maio de 2009

Construção coletiva!

Quando ouvia falar em construtivismo, confesso que ficava arrepiada! E não era de emoção! Eu havia presenciado experiências horríveis de um "pseudo-construtivismo".
Engana-se quem acredita que trabalhar de forma construtivista gera bagunça, barulho e turma alvoroçada. Só acontece este tipo de ação quando o professor de forma enganosa, acredita que trabalhar de maneira construtivista é deixar o aluno "solto", livre, aprendendo com suas atitudes, de maneira desordenada e sem a presença e intervenção do professor.
Tenho observado e, principalmente, sentido, que trabalhar de forma à construir o conhecimento exige organização, trabalho, pesquisa, dedicação, flexibilidade, adequação, criatividade (imensa), idealização (seber onde se quer chegar), integração, vontadde, estudo e principalmente, amor, aliado ao conhecimento adquirido, pois eles nos libertam dos tabus.
Durante o estudo sobre epistemologia genética aprendi que esta "pseudo-aprendizagem", onde impera a bagunça, é aquela pregada pelo Apriorismo, onde quaisquer ações são suficientes para que o conhecimento aconteça e neste embalo, houve uma confusão grande entre o que realmente é o construtivismo e a bagunça generalizada que se instaurou nas salas de aula.
Não posso deixar de frisar, aqui, que minha turma faz barulho e é alvoroçada, mas o barulho é das discussões dos grupos em plena atividade e a turma é alvoroçada para aprender cada vez mais, para descobrir, para organizar o que aprendemos e para aprender o que organizamos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Necessidades especiais...quem ensina quem???

Tenho observado a menina portadora de Necessidades Especiais que é minha aluna!
Cada dia tem sido uma aprendizagem...mas para mim!
Nunca (e quando falo desta maneira, não estou sendo exagerada) está triste, sem vontade ou brava.
Apresenta sempre boa vontade para tudo que é proposto, nunca coloca seus limites (visíveis) como desculpa ou motivo para não fazer algo, muito pelo contrário, é a primeira à oferecer-se.
Vive feliz! Não por que vive sorrindo e sim por que adora estudar e ir à escola aprender, como faz todos os dias. quando questionada sobre sua situação, diz que seu problema é motor, só. Como se fosse "só" ou algo simples.
Não se queixa das dores que certamente sente. Quando acontece, só pede para ir lavar o rosto, fazendo questão de ir sozinha, não querendo companhia e nem ajuda!
Ela diz que sou o máximo por que eu posso usar salto alto e eu digo que ela é o máximo, por que quando me olha é como se fosse lá do alto!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Projetos...final!


























Nosso projeto de frutas foi evoluindo! Foi acontecendo!
Confirmamos algumas certezas, como por exemplo: frutas fazem bem à saúde e na salada de frutas comemos mais facilmente frutas que não comemos puras!
Vi meus alunos assumirem e decidirem regras em seus grupos para um melhor andamento do trabalho! Vi o empenho em pesquisar, relatar e escrever! Mas principalmente, vi a felicidade em aprender.
Fomos respondendo nossas dúvidas, sem que eu detivesse todas as respostas em minhas mãos.Vi-os organizarem-se, relatarem e escreverem!
Trabalhamos com este projeto, a interdisciplinariedade, utilizamos os conhecimentos que cada um trouxe consigo, nos divertimos pesquisando, nos aproximamos mais nesta busca por respostas, quebramos alguns "tabus" construindo o nosso conhecimento e brincando.
Segue junto à postagem algumas fotos dos trabalhos que fizemos neste projeto, tais como:
*Árvore com frutas em comemoração ao aniversário da cidade de Porto Alegre, feita depois da leitura do livro: Memórias de uma árvore nascida em Porto Alegre (Íria Müller Poças).
*Confecção de frutas de massinhas de modelar.
*Releitura das obras de pintores famosos como Manet e Murillo, que pintaram quadros com frutas.
*Confecção criação e apresentação de teatro de fantoches, utilizando frutas como personagens.
Estou vendo o quanto eles florescem e me sinto florescendo junto! Entendo o processo de aprendizagem pelo qual eles estão passando, pois estou passando pelo mesmo processo, enquanto aluna.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Projetos...continuação!













Fiquei analisando todo este tempo, quais foram ou estão sendo, as vantagens deste projeto que estamos trabalhando! São muitas...tais como: organizar melhor o que está sendo feito, garantir a aprendizagem, romper com velhas crenças de que aula boa é aula no quadro e que no construtivismo, tudo é muito livre, tudo feito na hora....Engano!!!! Tenho tido que estudar, pesquisar, criar muito mais agora do que antes de trabalhar assim... Preciso estar pronta para o que vou apresentar, pois sempre há retorno!
Depois que começamos a estabelecer nossas dúvidas e certezas...todas provisórias, começamos a ir atrás do que tínhamos de dúvidas! Frutas nascem só em árvores ou no chão também? Começamos a nossa conversa por esta parte....O que achamos? Quem e que frutas acreditavam que nasciam onde? Fizemos um apanhado e fui eleita a escriba do grupo (por enquanto). Começamos a determinar juntos onde procuraríamos as respostas: com a família, nos livros e no laboratório de informática( na internet). Depois de definidos os lugares, estabelecemos que outras dúvidas poderíamos aproveitar para elucidar, uma vez que usaríamos o laboratório de informática para pesquisar: Como nascem as frutas? Fomos até lá e iniciamos a pesquisa. Utilizamos site de buscas, separamos o que nos interessava e imprimimos o material necessário. Voltamos à sala de aula e passamos a pesquisar o que conseguimos. Em grupos, as crianças escolheram quem leria, quem seria o relator e quem faria os cartazes, pois decidimos apresentar as nossas descobertas aos outros grupos da aula.
Estipulamos um tempo de 45 minutos para organização, confecção e escrita do trabalho, para depois o grupo ter mais 10 minutos de apresentação aos colegas.
O que descobrimos? Que o melão é uma fruta que não nasce em árvores, e sim no meloeiro, planta rasteira, como a que nasce a melancia. Descobrimos como nascem os abacaxis, os pêssegos, as uvas, os morangos, as laranjas, os mamões e as peras. As crianças apresentaram e acharam impressionante o fato das frutas, todas que foram pesquisadas, terem vitamina C e que esta vitamina auxilia no tratamento de gripes, infecções respiratórias e outros tipos de infecções.
Foram apresentados os cartazes confeccionados pelos grupos com o desenho das frutas, suas propriedades e como elas nascem.
Quanto à maneira como nascem as frutas, resolvemos fazer uma experiência para vivenciar o nascimento da fruta...e foi ai que surgiu a proposta de realmente fazer uma salada de frutas em aula, para assim usarmos as sementes tiradas das frutas, para realizarmos nossa plantação.
Organizamos os bilhetes juntos, imprimimos e distribuimos para cada aluno levar e trazer a sua fruta marcada.
No dia anterior, fizemos uma produção textual, relatando o que faríamos, como faríamos e depois fizemos o cálculo aproximado de quantas frutas seriam usadas.
No dia marcado, trouxemos tudo, preparamos o material necessário e fizemos a contagem das frutas que foram trazidas...vieram mais frutas do que havíamos previsto!!!
As crianças adoraram participar!!! Separaram as frutas, lavaram, carregaram e contaram potes, colheres, limparam as mesas e organizaram tudo, só não mexendo nas facas. Quando a salada ficou pronta, elas aplaudiram de felicidade!
Depois de lancharmos nossa salada de frutas, fizemos o relatório do que foi feito...
Por enquanto paro a postagem aqui, mas certamente tenho muito mais à contar, nas próximas postagens...pois este PA está redendo muitooooo!!! E eu estou adorandooo!!!!

sábado, 21 de março de 2009

Projetos...parte 2!

Tem uma certeza (que não é temporária) aprendida com a experiência que estou tendo no PEAD...nada é passado ao acaso! Nada é ensinado por ensinar!
Por isto quando começamos a estudar e montar os Projetos de Aprendizagem, no semestre passado, comecei a prestar atenção na metodologia, na sequência seguida para montagem do mesmo.
Ao reassumir minha turma este ano, percebi a possibilidade de, seguindo os passos, trabalhar com o mesmo estilo de Projeto, na minha sala de aula.
Claro que não comecei logo no primeiro dia a montagem, mas iniciei um processo de conhecimento e de troca de informações, que estão sendo muito úteis na fase atual do projeto.
Clareando um pouco para quem estiver lendo, estou com uma turma de 2º ano, composta por 21 alunos, tenho uma inclusão de aluno portador de necessidades especiais e destes 21 alunos, 14 estão no nível alfabético, 4 no nível silábico-alfabético e 3 estão no nível silábico (de acordo com testagem sobre o domínio da escrita-Emília Ferreiro). Trabalhamos na sala de aula em grupos, de acordo com este mesmo domínio da escrita.
Começamos desenhando: O que eu mais gosto?
Pude avaliar e retirar desta atividade algumas idéias para trabalhar em aula. Começamos nossa manhã de aula sempre com a rodinha, onde nos conhecemos e tem servido como norteador para o trabalho.
Numa destas rodinhas, as crianças começaram a colocar as dúvidas e conhecimentos que traziam sobre frutas e o desejo de estudá-las.
Entre as certezas levantadas pelas crianças temos: frutas fazem bem à saúde, na salada de frutas comemos frutas que não comemos puras (mamão...), algumas frutas comemos com casca outras não.
Quanto às dúvidas temporárias, foram citadas: Como nascem as frutas? No chão ou só em árvores? Que frutas usamos na salada de frutas? Fruta é remédio?
Estamos começando a procurar as respostas...juntos! E está sendo muito divertido...Temos planos, a aula flui, a aprendizagem também...
Encerro esta postagem por aqui,mas conforme o projeto for evoluindo, vou postando as novidades...e as respostas, fechando o quebra-cabeças!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eu.Profissão?Professora.

Tenho sentido uma sensação muito grande de fracasso!Mas não é "só" fracasso é aquela sensação horrível de quando temos pesadelo e queremos gritar e não sai mais do que alguns sons baixos.Sensação sufocante!!!Este sentimento,creio eu, vem do fato de, como profissional, estar vivendo um momento único(espero!!!).
Sou professora da rede pública estadual,no momento licenciada para cuidar do meu bebê, há 5 anos, mas formada há 21 anos.Nunca fiz outra coisa que não fosse dar aula.Sempre me orgulhei e orgulho até hoje da profissão que escolhi, mas nunca me desesperancei tanto como agora.
Por que falo em desesperança?Por que pior do que ver quem deveria estar investindo na educação, qualificando os professores, pois trabalhador feliz é trabalhador empenhado.Vejo uma categoria amordaçada, amarrada e atemorizada.
Vivi alguns anos da ditadura.Confesso que era criança, mas lembro de participar, à mesa,mesmo que como ouvinte, de discussões políticas sempre sendo lembrada que aquilo que era falado ali não poderia ser levado para fora de casa,sob pena de meus pais terem que dar "explicações" no extinto DOPS.
Agora sei como se sentiam meus pais!Pois é assim que me sinto.Atualmente o professor não pode reclamar,pois a situação pode piorar.O professor não pode fazer greve, pois as retaliações com certeza virão.O professor não pode adoecer.E caso esta desgraça aconteça,segue trabalhando,pois em licença ele perde alguns "benefícios" como o Vale Refeição.descobri que professor doente não precisa alimentar-se!!!OLHA QUE MARAVILHA,NÃO????
Mas enquanto o governo luta para não aprovar o básico de R$950,00(novecentos e cinqüenta reais) para o magistério, aprova o "mais do que justo"AUMENTINHO" de R$6.900,00 (SEIS MIL E NOVECENTOS REAIS) para seus ilustres e, acredito,exaustos trabalhadores:os secretários de Governo.
Não sou partidária e não acredito que meu sindicato consiga algo além de sair desgastado desta briga,mas sabem no que acredito?Que um dia, algum governo vai olhar com carinho para a educação e seus envolvidos.
Então poderei me apresentar assim:
-Prazer!Eu.Profissão?Professora.
E SER VALORIZADA!!!

Docente e Decente!!!!


Como Tardif enxerga e coloca a situação real do professor,vendo muito além de números, contabilizando as situações reais, o dia-dia, não pude deixar de pensar, mesmo depois do término do trabalho, no trabalho docente.
Por todo lado escuta-se que o professor é a classe que menos traballha, que tem muitos dias de férias e até que ganha muito para o que faz. Confesso que isso me entristece, pois não combina com a realidade que convivo, onde os professores são comprometidos,responsáveis e em sua maioria utilizam de seus "grandes salários" para comprarem e proporcionarem uma melhor qualidade de ensino à seus alunos.
Reconheço que, como em todas as classes, existem maus profissionais, mas crucifica-se a maioria por causa da minoria?
Trabalhamos sob as piores condições!Já tive que comprar até meu próprio giz!Quantas vezes já forneci material para os alunos?Várias!!!As crianças não têm culpa do descaso governamental, não são e não devem ser consideradas diferentes das que estudam em escolas particulares!Seu direito à aprendizagem não é sinônimo de má vontade, desinteresse e a "mesmice" de sempre.
E Tardif sabiamente enxerga-nos assim:cumpridores da nossa tarefa de educar e conscientes de que cada criança é única e com sua realidade muito bem marcada, o que dificulta,muitas vezes, o êxito total.
Torno a repetir o que escrevi na última atividade de Escola,cultura e sociedade: o que nos falta é investimento na educação, falta é uma política educacional séria e voltada para as necessidades de quem precisa dela.
Falta vergonha na cara dos nossos governantes, que se auto-aumentam seus já "milionários" salários e por isto brigam para não concederem um piso básico correspondente à 1/6 do aumento que receberão!!!
ATENÇÃO SENHORES GOVERNANTES:seus filhos estão "à salvo" do nosso "fracassado" trabalho docente,pois seus altos salários garantem isto,mas será que seus netos estarão?Perpetuem o descaso com a educação e seus netos só saberão o que é um professor através de fotografia amareladas guardadas em museus.
Por favor, permitam que nosso trabalho seja DOCENTE e DECENTE!!!Não nos tratem como palhaços...não o somos!!!