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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Freud explica?

"Educar ao lado de governar e psicanalisar é uma profissão impossível." (Sigmund Freud)
Se possível eu continuaria esta frase assim:"...mas os professores conseguem!"
O psiquiatra e psicoterapeuta José Outeiral coloca-nos muito bem uma destas situações:
"... os pais ''terceirizaram" cuidados parentais para as escolas-sobretudo aspectos éticos e morais e educação sexual. E as escolas às vezes assumem este papel ... Na verdade, as famílias estão desorientadas e perplexas, sem saber como agir, e as escolas são, de certa forma o lugar onde elas imaginam encontrar ajuda". (OUTEIRAL, José -XII Seminário de Pedagogia Universitária-Ritter dos Reis).
Passamos à cumprir o papel de educar e com esta aproximação aos deveres familiares não cumpridos, começamos a psicanalisar, a atender os "porquês e achar os "comos".
Fora toda esta situação, ainda esperam de nós o governo! Governar caminhos de aprendizagem, governar casa, família, governar, governar...
E conseguimos! Como? Freud explica!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Acumular saberes...não mais!

Li em um artigo de Juan Ignacio Pozo que os seres humanos são, possivelmente, os únicos capazes de ensinar. Outros animais aprendem, inclusive se comunicam por meio de linguagem e resolvem problemas, contudo não ensinam os seus, por que segundo afirmação do autor, ensinar "requer ler a mente do outro, saber o que ele não sabe e propor atividades para ajudá-lo a aprender."
Desta maneira, o autor quer dizer que precisamos entender o modo como os alunos aprendem, as dificuldades que têm de enfrentar, como se sentem e a maneira que podemos influenciar em suas relações afetivas e sociais.
É compreendendo como funciona a mente dos alunos que vamos conseguir ajudá-los a aprender, pois afinal, não queremos "empurrar" aprendizagem sobre eles.
Para que isto aconteça, retorno a um ponto já descrito em outras postagens e reforçado nesta: é preciso mudar a mentalidade dos docentes!
Mudando suas concepções sobre o que é aprender e ensinar, repensando os objetivos por disciplinas e concluindo, a maneira de avaliar o conhecimento construído, estaremos construindo novas formas de pensar e conhecer e não apenas acumular saberes!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Competência versus Mediocridade.

"Competência é a capacidade do sujeito mobilizar recurso (cognitivos) a sua volta visando abordar uma situação complexa."
Inicio esta postagem com a proposta de Philippe Perrenoud, adaptada por Vasco Pedro Moretto, no livro "Prova, um momento privilegiado de estudo não um acerto de contas" (Rio de Janeiro, DP&A,2002), pois lendo este livro compreendi que quando falamos em desenvolver competências em nossos alunos, queremos abordar aí, três aspectos importantes que são:
1º)Uma capacidade do sujeito, ou seja, quando ele "é capaz de".
2º)Ligação ao verbo MOBILIZAR, significando movimentar com força interior(não transferir de um lado para o outro).
3º)Ligação com a palavra RECURSOS, que além dos recursos da cognição (conhecimento intelectual) necessita recursos do domínio emocional.
Ou seja, quando falamos em competências, não podemos associá-la à uma forma "certinha", tradicional de impôr a aprendizagem e sim falamos de alguém que elabora situações que levem o aluno à manifestar suas competências e a construir seu conhecimento.
E foi refletindo à respeito deste desenvolvimento de competências que, novamente, voltei à questão da avaliação. Para um ensino voltado ao desenvolvimento de competências, a avaliação torna-se "...um momento privilegiado de estudo e não um acerto de contas"(Prova, um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas- Rio de Janeiro, ed. DP&A, 2002). Afinal queremos ser competentes ou passar a vida inteira no limite entre a mediocridade e a incompetência escolar?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dificuldades de aprendizagem.

Estive lendo e pesquisando sobre dificuldades de aprendizagem e uma frase do fonoaudiólogo Jaime Luiz Zorzi, doutor em Educação, chamou minha atenção, ela diz o seguinte: "Se os índices de fracasso escolar brasileiros na tentativa de alfabetização se devessem à distúrbios de alunos, poderíamos crer numa epidemia."
O mesmo doutor afirma que a Organização Mundial da Saúde tem estimativas que entre 10 e 15% do total de crianças com problemas de aprendizagem apresentam distúrbios orgânicos (incluindo deficiência mental, auditiva, motora, visual e múltiplas, além de casos como a dislexia). sendo que o índice de fracasso escolar atinge 40% ou mais. Nestas situações não estão computados os estudantes que passam de ano sem ter aprendido corretamente.
Fiquei questionando-me ao que deve-se esta discrepância nos dados e concluí que muitas vezes falta ajuste entre o método utilizado pelo professor e as características do aluno.
Vemos constantemente "diagnósticos" de transtornos de déficit de atenção quando na realidade, o comportamento desatento está ligado ao que as escolas e professores oferecem em termos de ensino. Não existe, muitas vezes, o trabalho feito com a realidade trazida pelo aluno.
E voltamos, aí, a um ponto muito forte e preocupante: a avaliação.
O que vemos é a avaliação onde as crianças são avaliadas pelo ponto fraco e não pelo forte. . Como tudo o resto somos avaliados pelo que não fazemos, ou não temos, ou não somos.
Pedro Demo (Avaliação Qualitativa-ed.rev.-Campinas,S.P.-Autores Associados, 2002) coloca muito bem, quando nos diz que: "Refletir é também avaliar e avaliar é também planejar, estabelecer objetivos etc."
Quem sabe o que nos falta é olhar diferenciadamente para cada aluno? É possível. Basta querermos, só precisamos ajustar o método às características dos alunos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Agradecimento à Piaget!!!

Em um comentário feito numa postagem anterior, a professora Beatriz colocou como era interessante o quanto a mudança causava desconforto e cita, sabiamente, Piaget, dizendo:"Para mudarmos, precisamos nos desacomodar e isto significa sair da zona de conforto."
Confesso que voltei lá muitas vezes e fiquei com a citação de Piaget na cabeça e ao olhar determinadas situações ela logo aparecia, como um grande aviso em neon, piscando à minha frente.
Às vezes por motivos que não são nem justificativas, a vontade de acomodar-se e deixar tudo como era, volta. Realmente professora, tudo era muito mais confortável, tudo era muito arrumadinho. A "engrenagem" funcionava em uma única direção, encaixada em outras que giravam perfeitamente. Meu mundo era arrumadinho!!!
Que bela bagunça eu acabei fazendo!!!
Saí da "zona de conforto", gerei alguns desconfortos por conta disto e descobri que este caminho não tem volta, porque é repleto de comprometimento.
E uma vez descoberto não tem como desistir!
Piaget tinha razão!!!